Conhecendo o câncer infantil

O câncer também é chamado de “tumor (neoplasia) maligno (a)”. Os órgãos são formados por diferentes tipos de células e, quando um câncer acontece, as células ficam afetadas e crescem rapidamente. Neste momento, surgem sinais e sintomas como: dores, perda de peso, cansaço constante, “caroços”, manchas e outros. Eles podem aparecer juntos ou separados, de forma rápida ou lenta.

Em adultos, as células cancerígenas atingem, principalmente, os tecidos e órgãos e a incidência da doença pode estar ligada a fatores externos como o tabagismo, o sedentarismo e a má alimentação. 

Já nas crianças e adolescentes, geralmente, são afetados os sistemas sanguíneos e de sustentação. Fatores externos, como os citados acima, pouco influenciam no surgimento de um tumor maligno. O desenvolvimento do câncer infantojuvenil está ligado a fatores genéticos herdados ou a mutações adquiridas de causa incerta. Não existem medidas de prevenção da patologia, com exceção da vacina de Hepatite B e HPV, e uma vez no organismo do paciente, o câncer progride de maneira acelerada. Dessa forma, o principal aliado na busca pela cura é o Diagnóstico Precoce. 

O câncer infantojuvenil existe e é uma grande realidade na nossa população. É muito importante que a família e os profissionais de saúde mantenham-se atentos às crianças e adolescentes. Quanto mais cedo esses pacientes recebem o tratamento adequado, maiores são as chances de cura, podendo chegar até 80% nos países de Primeiro Mundo e 70% aqui, no Brasil. Além disso, o Diagnóstico Precoce melhora a qualidade de vida desses pacientes e, em um futuro próximo, as sequelas podem ser menores

Dra. Sandra Emília Almeida Prazeres, Oncohematologista Pediátrica.

O papel do agente de saúde

O grande desafio quando se fala em Diagnóstico Precoce é a diferenciação dos sinais e sintomas. Durante a análise clínica podem ser identificados sinais e sintomas que se assemelham a doenças benignas da infância. Neste momento, o papel do agente de saúde é fundamental para o reconhecimento precoce de um possível câncer infantojuvenil. O agente de saúde deve sempre levar a sério as queixas dos cuidadores (pais). Caso haja a suspeita do câncer, cabe ao agente de saúde encaminhar a criança para o médico fazendo de forma a não alarmar os familiares antes do tempo. É muito importante que a comunicação entre os serviços de cuidados primários e os especializados se dê de forma efetiva. Dessa forma, o tratamento é iniciado o mais breve possível.

Os profissionais que fazem parte da equipe de Saúde da Família são extremamente importantes no que diz respeito à identificação de algum sinal ou sintoma persistente na criança e adolescente. O agente comunitário de saúde é responsável por visitar as famílias em seus domicílios e é por meio dessas visitas que ele pode vir a descobrir um caso de câncer. Esses agentes podem identificar qualquer criança e adolescente que apresente uma doença que esteja ultrapassando o período de duas semanas. Não só identificar, mas fazer com que o paciente chegue até o médico especializado e informar os sinais e sintomas a este profissional”

Dra. Sandra Emília Almeida Prazeres, Oncohematologista Pediátrica.

Estimativas do triênio 2020-2022

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), estima-se que o Brasil terá 625 mil novos casos de câncer e desse total, cerca de 8.460 serão crianças e adolescentes de 0 a 19 anos a cada ano do triênio 2020-2022. A novidade nos dados mais recentes, em virtude da melhoria na qualidade das informações, é o cálculo de estimativas para o câncer infantojuvenil adotando a mesma metodologia empregada na projeção dos números da patologia em adultos. Dessa forma, foi possível apresentar dados por estado. 

As estimativas apontam o maior risco de câncer na região Sul (165,27/milhão), seguida pela região Sudeste (159,30/milhão), região Centro-Oeste (135,18/milhão), região Nordeste (118,07/milhão) e por fim região Norte (93,71/milhão). No Ceará são esperados 360 novos casos a cada ano do triênio (2020-2022), segundo o INCA.